O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), André Mendonça, fez um alerta importante sobre o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marquês de Sapucaí. Embora tenha votado com os demais ministros para não barrar a apresentação antecipadamente — evitando assim o que a corte classificou como censura prévia —, Mendonça destacou que o evento caminha em uma linha tênue entre a manifestação artística e a propaganda eleitoral antecipada.
Os principais pontos do alerta do ministro e do contexto jurídico são:
- Confusão entre arte e política: O ministro afirmou que o uso massivo de sons, imagens e jingles que remetam diretamente a campanhas passadas ou à futura disputa de 2026 pode confundir o eleitor e violar a “paridade de armas” entre os candidatos.
- A decisão do TSE: Por unanimidade, o tribunal rejeitou pedidos de liminar feitos por partidos como o Novo e o Missão, que tentavam impedir o desfile ou o uso de símbolos como o número 13. A corte entendeu que não se pode punir algo que ainda não aconteceu, mas deixou claro que não se trata de um “salvo-conduto”.
- Possíveis consequências: Como o desfile ocorreu no domingo (15), o Ministério Público Eleitoral e o próprio TSE agora podem analisar o conteúdo exibido. Se ficar comprovado o uso da máquina pública ou o pedido explícito de votos (as chamadas “palavras mágicas”), a escola e os beneficiários podem enfrentar multas e investigações por abuso de poder econômico ou político.
- Elementos polêmicos: Durante a apresentação, foram observadas referências a programas de governo (como o Minha Casa, Minha Vida e o ProUni) e jingles clássicos da trajetória de Lula, o que reforça a preocupação de magistrados sobre o caráter eleitoral da homenagem em um ano que antecede as eleições presidenciais.
A situação agora segue para uma análise a posteriori, onde o tribunal decidirá se a homenagem extrapolou os limites da liberdade de expressão cultural.
Cármen Lúcia alerta para “areia movediça” jurídica no carnaval
A presidente do TSE elevou o nível do aviso aos navegantes da política. Ao utilizar a metáfora da areia movediça, a ministra deixou claro que a Corte não dará o benefício da dúvida para quem tentar transformar o samba-enredo em palanque eletrônico disfarçado.
Os pontos de destaque na fala da ministra:
- Risco de “afundamento” político: A metáfora indica que o tribunal não terá complacência com quem “entrar na avenida” flertando com o ilícito. A responsabilidade é integral do político e da agremiação.
- Festa não é fresta: A frase de efeito da ministra resume a doutrina do TSE para 2026: a soberania popular e a cultura do carnaval não servem de escudo para burlar o calendário eleitoral.
- Fiscalização em tempo real: Ao mencionar que as representações já estão “acionadas”, Cármen Lúcia sinaliza que o monitoramento foi feito durante os desfiles, capturando evidências que podem gerar multas pesadas ou até a inelegibilidade futura.
- Foco nos pré-candidatos: O tribunal está especialmente atento à presença física de prováveis candidatos de 2026 em situações de destaque excessivo, o que configuraria quebra da paridade de armas (quando um candidato tem mais exposição que outros antes do período permitido).
Entenda a diferença entre homenagem e propaganda antecipada
Para o TSE, a linha que divide o desfile da infração passa por critérios técnicos bem definidos:
| Elemento | Manifestação Cultural (Lícita) | Propaganda Eleitoral (Ilícita) |
| Símbolos | Cores da escola e referências históricas. | Números de partido e logotipos de campanha. |
| Trilha Sonora | Samba-enredo sobre a biografia do homenageado. | Uso de jingles de campanhas passadas ou rimas de exaltação política. |
| Presença | Participação discreta ou como expectador. | Discursos em microfones da escola ou destaque central em carros alegóricos. |
| Mensagem | “O povo celebra sua história”. | “Fulano é a solução para 2026” (as chamadas “palavras mágicas”). |


