CURITIBA – Em um movimento que redefine as peças no tabuleiro político paranaense, a jornalista Cristina Graeml oficializou sua filiação ao PSD na noite da última terça-feira (31). O anúncio foi feito pelo governador Ratinho Junior através de suas redes sociais, marcando uma virada estratégica para as eleições de 2026.
De adversária a aliada
A mudança de partido é emblemática. Em 2024, Cristina foi a principal adversária de Eduardo Pimentel (PSD) na disputa pela prefeitura de Curitiba. O embate foi marcado por tons agressivos, com Cristina rotulando Pimentel como o candidato “do sistema” e o atual prefeito utilizando a figura do trisavô da jornalista, Trajano Reis, em peças eleitorais que geraram indignação por parte da comunicadora.
Agora, sob a benção de Ratinho Junior, os antigos rivais dividem a mesma legenda. “É muito importante que a gente, pensando num projeto maior, consiga caminhar junto”, afirmou Cristina durante o anúncio.
O fator Sergio Moro
Originalmente, a jornalista estava no União Brasil, onde planejava compor uma chapa conjunta com o senador Sergio Moro. Contudo, com a migração de Moro para o PL, Cristina iniciou negociações com outras siglas, encontrando no PSD o espaço necessário para manter suas pretensões eleitorais.
Unidos pelo Paraná, que não pode parar 🙏 pic.twitter.com/tEIeigyDR6
— Cristina Graeml (@cristinagraeml) April 1, 2026
Pontos principais da movimentação:
- Foco no Senado: Cristina tem afirmado o desejo de concorrer a uma das duas vagas que o Paraná terá em disputa no Senado Federal.
- Representatividade: O governador Ratinho Junior destacou a importância de Cristina como representante da “força e inteligência da mulher paranaense”.
- Reestruturação do PSD: A filiação ocorre em um momento crítico para o partido, que recentemente perdeu Rafael Greca para o MDB e Alexandre Curi, que deve se filiar ao Republicanos nesta quinta-feira (2).
Próximos passos
Embora a vaga para o Senado seja o objetivo declarado de Graeml, o cargo oficial que ela disputará só será definido após a consolidação do “cabeça de chapa” do grupo governista para o Palácio Iguaçu.
O movimento de Ratinho Junior é visto por analistas como uma tentativa de manter o eleitorado conservador e de direita unido sob o guarda-chuva do PSD, especialmente após as baixas de nomes expressivos na legenda.
Veja os novos desdobramentos desse cenário:
1. Senado vs. Vice-Governadoria
Apesar de Cristina reafirmar que seu projeto para o Senado é “firme e irreversível”, o PSD trabalha com múltiplas peças. A hipótese de ela ser vice-governadora ganha força por três motivos:
- Equilíbrio de Chapa: Caso o candidato à sucessão de Ratinho Junior seja um nome mais técnico ou de centro, Cristina traria o “fogo” ideológico e a conexão com a base bolsonarista.
- Vaga de Curitiba: Com a saída de Rafael Greca e Alexandre Curi do partido, o PSD precisa de um nome com forte recall na capital para sustentar a chapa majoritária.
- Espaço Interno: Como o Paraná elegerá dois senadores, o PSD pode preferir usar Cristina como vice para acomodar outro aliado histórico na segunda vaga ao Senado.
2. A “Benção” de Ratinho Junior
O governador tem sido o principal articulador dessa união. Ao trazê-la para o PSD, Ratinho Junior neutraliza uma crítica feroz e integra ao seu grupo uma comunicadora que detém 42% dos votos da capital (resultado do 2º turno de 2024). Em reuniões recentes, o governador já teria acenado com a possibilidade da vice-governadoria como uma forma de garantir que o projeto de continuidade do seu governo seja “impenetrável” pela oposição.
3. Impacto na Direita Paranaense
A movimentação isola Sergio Moro (PL), que agora terá que enfrentar uma ex-aliada (Cristina) dentro da maior máquina partidária do estado. Se Cristina for confirmada como vice na chapa governista, ela se torna o rosto da direita dentro do governo, dificultando o discurso de oposição de Moro ou de outros candidatos conservadores.
Comparativo de Cenários para Cristina Graeml
| Cenário | Vantagens | Desafios |
| Candidata ao Senado | Alta independência e alinhamento com seu desejo pessoal e base eleitoral. | Disputa interna por uma das duas vagas com outros nomes pesados do grupo. |
| Candidata a Vice | Garante presença no Executivo e fortalece a chapa governista em Curitiba. | Exige um discurso de conciliação total com o “sistema” que ela criticou em 2024. |
Bastidores: Interlocutores do Palácio Iguaçu afirmam que a decisão final passará pelo desempenho de Cristina nas pesquisas de intenção de voto ao longo de 2026. Se ela se mostrar imbatível para o Senado, o partido dificilmente a “sacrificará” na vice-governadoria. Caso contrário, a vice será o caminho natural para mantê-la no jogo.

