O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, não comparecerá ao depoimento marcado para esta segunda-feira (23) na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no INSS. A ausência está amparada em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que tornou a participação do banqueiro facultativa por sua condição de investigado.
Além da CPMI, Vorcaro também estava escalado para falar à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) na terça-feira, compromisso que igualmente foi cancelado. O presidente do colegiado, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), já reformulou a pauta de trabalhos após a confirmação da defesa.
Reviravolta no sigilo dos dados
Apesar da dispensa do depoimento presencial, a investigação ganhou fôlego em outra frente. O ministro André Mendonça determinou:
- Acesso reestabelecido: A CPMI voltará a ter acesso aos dados bancários, telemáticos e telefônicos de Vorcaro.
- Papel da PF: Os dados serão enviados primeiro à Polícia Federal — que conduz a Operação Compliance Zero — e, em seguida, compartilhados com a comissão.
- Fim do bloqueio: A medida reverte decisão anterior do ministro Dias Toffoli, que havia restringido o acesso ao material, mantendo-o sob custódia da presidência do Senado.
Para o deputado Alfredo Gaspar, o compartilhamento das informações é uma “vitória da transparência” para apurar o suposto envolvimento do banco em descontos irregulares em aposentadorias.
O impacto da Operação Compliance Zero
As investigações contra o Banco Master ganharam escala em novembro de 2025. O foco está na concessão de créditos fictícios e em irregularidades na tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB). Estima-se que o volume das fraudes sob análise da Polícia Federal alcance a cifra de R$ 17 bilhões.

