O fortalecimento da sustentabilidade no campo e a redução da dependência de fertilizantes químicos importados foram os pilares centrais do 4º Encontro de Agroecologia, promovido nesta semana pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR). O evento reuniu 320 participantes em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, engajando agricultores, estudantes e profissionais das ciências agrárias em uma programação prática com oficinas e minicursos.
Realizado no Centro Estadual de Educação Profissional Newton Freire Maia e na Estação de Pesquisa em Agroecologia do IDR-Paraná, o encontro buscou dar respostas práticas aos desafios econômicos e ambientais do setor. Segundo o pesquisador Arnaldo Colozzi, do IDR-Paraná, a produção nacional de bioinsumos surge como uma blindagem estratégica contra instabilidades globais.
“Os bioinsumos trazem a possibilidade de reduzirmos a dependência externa que temos dos fertilizantes químicos, pois os custos são alterados sempre que acontecem questões como as guerras em países que produzem esses insumos”, destacou Colozzi.
Produção prática e autonomia para a agricultura familiar
Um dos grandes destaques do evento foi o sistema de produção “on farm”, apresentado pelo engenheiro agrônomo e consultor Celso Tomita. O método permite que o próprio produtor multiplique microrganismos benéficos, como fungos e bactérias, dentro de sua propriedade, reduzindo custos e aumentando a eficiência biológica do solo. Tomita também ministrou um minicurso focado no método TMT, voltado à regeneração microbiológica da lavoura.
Para aproximar a ciência do cotidiano rural, foram realizadas nove oficinas práticas abrangendo temas como:
- Biodigestores e microalgas;
- Controle biológico de pragas;
- Compostagem enriquecida e produção de húmus (minhocultura);
- Produção de biofertilizantes líquidos e caldas protetoras.
Conhecimento que transforma a realidade local
O impacto das capacitações foi imediato tanto para produtores quanto para a assistência técnica. A agricultora Carmencita de Souza, de Bocaiúva do Sul, encontrou no evento a solução para otimizar os recursos que já possuía em sua propriedade. “O minhocário achei muito interessante, porque pode-se usar o esterco da vaca, que é uma matéria que temos disponível e não sabíamos como fazer. Eu vim em busca desse conhecimento e encontrei”, celebrou.
Para os profissionais que prestam assistência no campo, o encontro funcionou como um catalisador de novas práticas. O extensionista Ícaro Petter, que acompanhou um grupo de agricultores no minicurso, definiu a experiência como uma “injeção de ânimo”. Segundo ele, o aprendizado provoca uma mudança de conceitos que será aplicada imediatamente na rotina de Assistência Técnica e Extensão Rural da região.
O 4º Encontro de Agroecologia foi viabilizado pelo projeto Casa da Agroecologia e contou com a parceria do Colégio Newton Freire Maia, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da empresa Ambiente Livre e com o apoio da Central de Abastecimento do Paraná (Ceasa).
Saiba Já News: inteligência em informação com abrangência nacional.







