Ucrânia deve integrar Otan; Lula quer se manter neutro sobre guerra entre Rússia e Ucrânia

Por Repórter Jota Silva
Jens Stoltenberg, secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Ministros das Relações Exteriores abordam os preparativos da Cúpula de Vilnius, aproximando a Ucrânia da OTAN

O secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Jens Stoltenberg, disse nesta 5ª feira (1º.jun.2023) que os países-membros da aliança militar concordam que a Ucrânia deve integrar o grupo. “Estamos nos movendo, aliados concordam que a Ucrânia se tornará um membro”, afirmou a jornalistas depois de reunião com ministros da Otan, em Oslo (Noruega).

A declaração contraria o que Stoltenberg disse sobre o tema na semana passada. Segundo ele, a adesão da Ucrânia durante a guerra não estava na agenda.

A expansão da organização no Leste Europeu é um dos motivos assinalados pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, para invadir a Ucrânia. Stoltenberg argumentou nesta 5ª feira (1º.jun) que a Rússia não pode vetar o crescimento da aliança.

O secretário-geral também falou sobre a entrada da Suécia na Otan. O país oficializou o pedido de ingresso em julho do ano passado, junto à Finlândia, mas aguarda aprovação da Hungria e da Turquia, enquanto os finlandeses fazem parte da organização desde abril.

General view of the meeting – O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, concluiu uma reunião informal de ministros das Relações Exteriores em Oslo, Noruega, na quinta-feira (1º de junho de 2023), chamando-a de “oportunidade para discutir questões-chave enquanto nos preparamos para nossa cúpula em Vilnius em julho”.

Stoltenberg disse que viajará para Ancara para falar com o presidente Recep Tayyip Erdogan sobre o tema. “Falei com o presidente Erdogan no início desta semana e também viajarei para Ancara em um futuro próximo para continuar a abordar como podemos garantir a adesão mais rápida possível da Suécia”, disse.

Lula: Brasil quer se manter neutro sobre guerra entre Rússia e Ucrânia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (1º), que o Brasil faz parte de um grupo de países que quer “se manter neutro” para negociar o fim do conflito entre Ucrânia e Rússia.

“Não acontecerá nada enquanto Ucrânia e Rússia não tomarem a decisão de que querem a paz. Portanto, o Brasil faz parte de um grupo de países que querem se manter neutros para construir a possibilidade do fim da guerra”, disse Lula, após encontro com o presidente da Finlândia, Sauli Niinistö, no Palácio Itamaraty, em Brasília.

“Estamos tentando formular a oportunidade, quando convier aos dois presidentes, da Rússia e da Ucrânia, de colocar uma proposta de paz na mesa que tem que ser combinada com os dois”, destacou.

Lula reiterou a posição do Brasil de defesa da integridade territorial da Ucrânia e de condenação da invasão.

O presidente finlandês disse que tem a mesma opinião sobre o conflito e que toda tentativa pela paz é muito valiosa.

Niinistö chegou nesta quarta-feira (31) ao Brasil e, além de Brasília, manterá agenda em São Paulo, nesta sexta-feira (2), com foco na promoção comercial e de investimentos. Segundo ele, há várias possibilidade de cooperação econômica entre Brasil e Finlândia, citando comunicação cibernética e economia circular.

Durante declaração à imprensa, Lula destacou que a cooperação em ciência, tecnologia e inovação é de particular relevância nessa agenda bilateral.

“A Rede de Inovação Brasil-Finlândia reúne pesquisadores e especialistas e fortalece vínculos entre a pesquisa básica e aplicada dos dois países. Maior colaboração em áreas como comunicações, segurança cibernética, tecnologia militar e transição ecológica certamente trará benefícios concretos. Queremos retomar o dinamismo do relacionamento, inclusive utilizando os cientistas brasileiros na Finlândia, em áreas como 5G e 6G e bioeconomia”, disse.

Lula citou ainda parcerias no setor de biocombustíveis, serviços aéreos e combate a mudanças climáticas. “Estou certo de que a delegação empresarial que acompanha o presidente Niinistö encontrará excelentes oportunidades de negócios e investimentos no Brasil”, disse. “Em 2022, alcançamos um intercâmbio comercial de US$ 1,8 bilhão. É possível ir ainda muito além disso”, acrescentou o presidente.

Brasil e Finlândia estabeleceram relações diplomáticas em 1929. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, a agenda bilateral é “marcadamente positiva” e existe interesse mútuo em expandir a cooperação em áreas estratégicas. Após a visita da presidenta Dilma Rousseff à Finlândia, em 2015, o presidente Niinistö esteve no Rio de Janeiro, nas Olimpíadas de 2016.