A liberdade do ex-deputado Juan Pablo Guanipa, um dos nomes mais emblemáticos da oposição venezuelana, durou pouco. Após ser solto na manhã de domingo (8), o político foi capturado novamente em Caracas antes da meia-noite. O episódio foi classificado como “sequestro” por seus aliados e ocorre em um momento de extrema fragilidade do regime chavista.
A emboscada em Los Chorros
De acordo com a líder opositora María Corina Machado, Guanipa foi levado à força no bairro de Los Chorros por “homens fortemente armados e à paisana” que utilizaram quatro veículos na operação.
O filho do político, Ramón Guanipa, relatou que a ação foi uma emboscada. Antes de ser detido novamente, Juan Pablo chegou a circular por Caracas, conversou com apoiadores e defendeu o respeito ao voto popular das eleições de 2024.
“Há muito o que falar sobre o presente e o futuro da Venezuela, sempre com a verdade em primeiro plano”, declarou ele em suas poucas horas de liberdade.
Justificativa do Ministério Público
Nesta segunda-feira (9), o Ministério Público venezuelano alegou que Guanipa “violou os termos” de sua soltura. Sem detalhar o descumprimento, o órgão solicitou aos tribunais que o político seja colocado sob prisão domiciliar.
Contexto: Um regime sob tutela
O vaivém nas prisões acontece sob o governo interino de Delcy Rodríguez, que assumiu após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA em janeiro.
- Pressão Internacional: A soltura (e rápida recaptura) de Guanipa coincide com a visita de representantes do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.
- Anistia em pauta: O Parlamento venezuelano deve votar nos próximos dias uma lei de anistia geral, o que torna a nova detenção de Guanipa um sinal contraditório do governo.


