Um relatório da Comissão Seleta da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, divulgado nesta semana, acusa a China de utilizar instalações espaciais na América Latina para fins militares e de espionagem. O documento cita nominalmente duas operações em território brasileiro, localizadas na Bahia e na Paraíba, classificando-as como ameaças à segurança nacional americana e à hegemonia de Washington na região.
O foco das acusações: Estação de Tucano e Serra do Urubu
A comissão americana demonstra preocupação com a “natureza dual” dessas instalações — onde projetos científicos serviriam de fachada para operações do Exército Popular de Libertação da China.
- Estação Terrestre de Tucano (Bahia): Fruto de um acordo de 2020 entre a startup Alya Nanossatélites e a chinesa Beijing Tianlian, o local é visto como um ponto estratégico para monitorar ativos militares e coletar dados de vigilância em tempo real.
- Radiotelescópio na Serra do Urubu (Paraíba): Embora integre um projeto multinacional de radioastronomia, o relatório alega que os sensores podem interceptar sinais de equipamentos militares e satélites estrangeiros.
A visão estratégica de Washington
O documento, intitulado “China em nosso quintal dos fundos”, reflete a postura do governo de Donald Trump em reafirmar a América Latina como zona de influência exclusiva dos EUA.
“Esses locais formam uma rede integrada de dupla utilização, fortalecendo a capacidade da China de monitorar, controlar e potencialmente interromper operações espaciais e militares do adversário”, afirma o relatório.
Recomendações e desdobramentos no Brasil
A comissão sugere que os EUA adotem uma “diplomacia de inteligência” para pressionar governos vizinhos a barrar a infraestrutura chinesa. As principais propostas incluem:
- Eliminação de infraestrutura: Estabelecer como meta explícita a remoção de tecnologia espacial chinesa considerada ameaçadora no Hemisfério Ocidental.
- Transparência e inspeção: Exigir direitos de auditoria e supervisão legal sobre as instalações em solo latino-americano.
- Reação Brasileira: No Brasil, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados já se movimentou, solicitando explicações formais ao Ministério da Defesa sobre o funcionamento e a segurança da estação em Tucano.
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