O cenário de guerra no Oriente Médio atingiu novos picos de tensão nesta quinta-feira. Em discurso oficial, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que as forças americanas continuarão a atacar o Irã “com muita força” pelas próximas semanas. O republicano declarou que o objetivo é fazer o país “retroceder à Idade da Pedra”, apesar de sustentar que Washington já alcançou a maioria de suas metas estratégicas.
A retórica de Trump foi acompanhada pela publicação de um vídeo que mostra o colapso de uma ponte no Irã — possivelmente a ponte B1, em construção e considerada a mais alta da região. “Muito mais por vir”, ameaçou o presidente, instando Teerã a “fazer um acordo” antes que o país seja totalmente destruído.
Resistência e novos ataques
Em resposta, o comando militar iraniano afirmou possuir estoques ocultos de armas e instalações de produção preservadas. O conflito se espalha por várias frentes:
- Líbano: Ataques israelenses mataram 27 pessoas nas últimas 24 horas. A invasão terrestre contra o Hezbollah continua, enquanto milhões de pessoas seguem deslocadas.
- Israel e Golfo: O Irã mantém o lançamento de mísseis contra Israel e estados árabes do Golfo. Recentemente, um míssil vindo do Iêmen, lançado pelos rebeldes houthis, foi identificado pelas defesas israelenses.
- Vítimas: O balanço da guerra já supera 1.900 mortos no Irã e 1.300 no Líbano. Entre as forças aliadas, foram registradas as mortes de 13 militares americanos e 10 soldados israelenses.
Diplomacia e a questão de Ormuz
No Conselho de Segurança da ONU, o Bahrein lidera uma resolução para garantir a abertura do Estreito de Ormuz, via vital para o comércio global de energia. A proposta autoriza o uso de “todos os meios necessários” para proteger a navegação, termo que abre brecha para ação militar. No entanto, Rússia e China manifestaram forte oposição, alegando que tal linguagem pode inflamar ainda mais o conflito.
Paralelamente, a Áustria anunciou o fechamento de seu espaço aéreo para operações militares dos EUA relacionadas ao Irã, citando sua lei de neutralidade. O país alpino se junta a outras nações europeias que impuseram restrições semelhantes.
Crise humanitária e tensões com a ONU
A UNIFIL (força de paz da ONU no Líbano) relatou incidentes graves envolvendo tropas de Israel, que teriam hasteado sua bandeira perto de uma base de manutenção da paz. Um foguete de origem desconhecida também atingiu uma base italiana no sul do Líbano. Stephane Dujarric, porta-voz da ONU, alertou que tais ações comprometem a imparcialidade das forças internacionais e aumentam o risco de ataques contra os “capacetes azuis”.
Impacto econômico
A incerteza sobre o fim do conflito sacudiu os mercados globais:
- Petróleo: O barril bruto dos EUA subiu 8,4%, atingindo US$ 108,82, após chegar ao pico de US$ 114 durante o dia.
- Wall Street: O índice S&P 500 e o Dow Jones operaram em queda, refletindo a volatilidade causada pela falta de um cronograma claro por parte da Casa Branca para a conclusão das operações.
Enquanto a cúpula do governo iraniano classifica as ameaças de Trump como “ignorância”, parte da população em Teerã demonstrou desafio ao manter as celebrações do Sizdeh Bedar, feriado tradicional, realizando piqueniques e danças em parques públicos, apesar do rastro de destruição que já atinge monumentos e universidades do país.
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