Reação do mercado à vitória de Lula é a pior em seis eleições

Repórter Jota Silva
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A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo 25, provocou uma forte reação do mercado financeiro. No primeiro pregão após o resultado, nesta segunda-feira, 26, o Ibovespa recuou 13,17%, para 174.608 pontos — o maior recuo desde março de 2020. O dólar comercial subiu 8,21%, atingindo R$ 5,403. A Bolsa de Valores de São Paulo não interrompeu as operações e não registrou qualquer tipo de intervenção governamental.

A movimentação refletiu, além do resultado da eleição presidencial, a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e as renovadas preocupações dos investidores com a política fiscal do governo. A queda da B3 foi a maior desde março de 2020 e a maior queda diária desde janeiro de 1999.

Segundo dados históricos, o Ibovespa só não caiu no primeiro pregão depois de quatro das últimas eleições presidenciais desde 2002. As exceções ocorreram em 2010, quando Dilma Rousseff venceu, e em 2022, quando Lula conquistou o terceiro mandato. Apesar das quedas iniciais, o índice encerrou a semana com recuperação em algumas ocasiões: em 2022, por exemplo, o Ibovespa recuou 2,77% no primeiro pregão, mas acumulou valorização de 5,18% ao fim da semana.

O banco BTG Pactual, em relatório divulgado nesta segunda-feira, projetou que o Ibovespa pode recuar para cerca de 170 mil pontos nas próximas semanas, o que representa uma queda de aproximadamente 17% em relação ao patamar anterior à eleição. A instituição também estima uma desvalorização de 10% a 15% do real.

Para o BTG, a vitória de Lula pode pressionar os juros de longo prazo e limitar o espaço para cortes da Selic. A trajetória dos mercados nos próximos dias dependerá de sinais concretos sobre a condução fiscal do governo e da definição da nova equipe econômica.

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