A frase “nunca é tarde para aprender” ganha um significado profundamente real na história de Marina Figueiredo, de 78 anos. Moradora do Condomínio do Idoso em Maringá (PR), a pernambucana que passou a vida dedicada aos cuidados de oito filhos agora celebra uma conquista que parecia distante: a alfabetização por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
“Eu só sabia fazer o meu nome. Conhecia os números, mas não sabia juntar as palavras. Agora já leio um bocado de coisa, já estou fazendo as minhas tarefas da escola. É muita felicidade”, conta Marina.
Para aproximar o ensino de realidades como a de Marina, a Prefeitura de Maringá inaugurou, nesta quinta-feira (11), um novo espaço da modalidade diretamente dentro do Condomínio do Idoso. A ação conjunta entre as secretarias de Educação (Seduc) e de Assistência Social (SAS) elimina a barreira da locomoção, que antes impedia muitos moradores de frequentar as salas de aula.
Estrutura e apoio pedagógico
Atualmente, o Condomínio do Idoso abriga 87 moradores, dos quais 22 já estão matriculados. As aulas são coordenadas pela Escola Municipal José Aniceto e contam com suporte completo do município:
- Material gratuito: Os alunos recebem uniforme completo (incluindo calçados e agasalhos) e kit escolar com mochila, cadernos e lápis de cor.
- Espaço de leitura: Além da sala de aula, o local conta com uma biblioteca para incentivar o hábito da leitura.
- Foco no acolhimento: A dinâmica atende às necessidades específicas da terceira idade, garantindo autonomia e dignidade.
A secretária de Educação, Adriana Palmieri, e o secretário de Assistência Social, Leandro Bravin, destacaram que levar o serviço até a comunidade amplia possibilidades e garante comodidade. Para a vice-prefeita Sandra Jacovós, a iniciativa garante que os idosos tenham todas as condições para seguir realizando sonhos.
Da EJA para a EJAI: mudança de nome tramita na Câmara
O projeto em Maringá dialoga diretamente com uma tendência nacional de reconhecimento desse público. Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 2679/24, que propõe alterar o nome da modalidade para EJAI (Edugação de Jovens, Adultos e Idosos).
Mais do que uma mudança de nomenclatura, o texto já aprovado em comissões determina que os sistemas de ensino ofereçam métodos, materiais didáticos e apoio apropriados e adaptados às necessidades da população idosa.
Enquanto a lei avança em Brasília, em Maringá a transformação já acontece na prática. Como resume a professora e coordenadora do projeto, Gláucia Rufato: “Não tem preço ver um aluno que chegou sem saber escrever passar a assinar o próprio nome e ganhar confiança. A educação transforma vidas.”







Saiba Já News: inteligência em informação com abrangência nacional.




