O técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti, encerrou o mistério na última segunda-feira (18) ao incluir o atacante Neymar na lista dos 26 convocados para a Copa do Mundo de 2026. Aos 34 anos e defendendo atualmente o Santos, o camisa 10 retorna à equipe após quase três anos de ausência devido a uma grave lesão no joelho. Embora a convocação represente uma guinada técnica no planejamento da comissão, ela também escancarou que o país segue politicamente polarizado quando o assunto é o craque.
Ao contrário da percepção de que a Copa do Mundo é capaz de pacificar o debate público, dados recentes de uma pesquisa Genial/Quaest revelam que o “fator Neymar” divide os torcedores conforme suas preferências ideológicas. O racha na arquibancada virtual deixa claro que o país está longe de uma união consensual.
Apoio na direita e rejeição na esquerda
Os números mostram que o apoio ao jogador é expressivo no campo da direita. Entre eleitores de direita não bolsonaristas, 58% defenderam a presença do atacante no Mundial, contra 34% que o rejeitavam. Na ala bolsonarista, o retorno do craque foi recebido com entusiasmo e celebrado publicamente por figuras de destaque como os parlamentares Flávio e Eduardo Bolsonaro, que classificaram a escolha de Ancelotti como um triunfo contra o que chamam de “perseguição”.
Por outro lado, o espectro da esquerda mantém forte resistência à figura do atleta. No eleitorado alinhado ao lulismo, metade dos entrevistados (50%) declarou-se contra a convocação, enquanto 45% foram a favor. O índice de rejeição sobe para 59% na esquerda não lulista, setor onde apenas 33% dos entrevistados apoiaram o retorno do camisa 10.
Bastidores e a “tese” do camisa 10
Alheio às discussões políticas, Neymar publicou nesta terça-feira (19), em seu canal no YouTube, as imagens dos bastidores da convocação na Baixada Santista. O jogador revelou que viveu momentos de apreensão e “desespero” por não ter recebido nenhum contato prévio da comissão técnica italiana.
“Tô com uma tese que se ele não me ligou até agora… porque acho que ele ligaria [caso não fosse convocado]”, brincou o atleta no vídeo, momentos antes de explodir em choro e comemoração ao lado de familiares e do companheiro de clube, Gabigol.
O plano tático de Ancelotti
Na entrevista coletiva após o anúncio no Museu do Amanhã, Carlo Ancelotti foi enfático ao justificar a escolha por critérios estritamente físicos e técnicos, após avaliar a sequência de jogos do atleta no futebol brasileiro. O treinador indicou que pretende testar Neymar em uma função diferente de seus mundiais anteriores (2014, 2018 e 2022).
Em vez de atuar aberto pelas pontas, o jogador deverá ser utilizado mais centralizado, funcionando como um “falso 9” ou um armador clássico para quebrar linhas defensivas fechadas. Ancelotti evitou cravar a titularidade do craque, destacando que o foco está na “qualidade dos minutos” em que ele estará em campo.
A Seleção Brasileira faz amistosos preparatórios contra Panamá e Egito nos próximos dias e estreia oficialmente na Copa do Mundo no dia 13 de junho, contra o Marrocos, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.





