O Paraná saiu na frente e já iniciou a aplicação do emicizumabe em crianças de 0 a 6 anos com hemofilia A grave. Embora o Ministério da Saúde tenha estabelecido um prazo de até 180 dias para o início do tratamento no SUS (contados a partir de dezembro de 2025), a agilidade do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar) garantiu a disponibilidade do fármaco em apenas 30 dias.
Uma nova rotina para o pequeno Luca
Para Luca Rech e Souza, de 4 anos, a infância era definida por restrições: chão da casa revestido com EVA, uso constante de capacete e picadas intravenosas três vezes por semana. Com a chegada do novo tratamento, a realidade mudou.
“O Luquinha vai crescer bem saudável. Agora vamos reduzir o número de aplicações e vai ser subcutânea. Ele terá uma qualidade de vida bem melhor”, celebra o pai, Adam Juglaire e Souza.
Avanço tecnológico e humanização
O emicizumabe representa um salto tecnológico no tratamento da hemofilia. Diferente da reposição convencional de Fator VIII, que exige acesso venoso frequente, este anticorpo é aplicado via subcutânea e possui efeito prolongado.
- Administração: Pode ser semanal, quinzenal ou mensal.
- Prevenção: Foca na profilaxia, evitando a artropatia hemofílica (danos irreversíveis nas articulações).
- Conceito “Free Mind”: Segundo a hematologista Claudia Lorenzato, o objetivo é que a criança “esqueça” a doença e tenha uma vida produtiva e comum.
Impacto na rede estadual
O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, destaca que a estrutura do Hemepar foi fundamental para essa implementação célere. Atualmente, o Paraná possui cerca de 800 pacientes com hemofilia A; destes, 40 já utilizavam o medicamento em outras faixas etárias, e agora 33 novas crianças estão aptas a iniciar o tratamento no Estado.
A diretora do Hemepar, Vivian Patricia Raksa, reforça que a unidade se organizou assim que a ampliação foi articulada, realizando a avaliação dos pacientes elegíveis e o alinhamento com as famílias para garantir que o benefício chegasse o quanto antes à ponta.

