Sucesso de público, Flim 2026 começa com Itamar Vieira Junior e Michel Alcoforado; programação segue até domingo, 18

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Um dos momentos mais aguardados da noite foi o bate-papo com Itamar Vieira Junior, autor de Torto Arado e Coração sem Medo (Crédito: Ricardo Lopes/PMM)

A Festa Literária Internacional de Maringá (Flim 2026) começou nesta quarta-feira, 14, com sucesso de público. A programação teve entre os destaques do primeiro dia os escritores Itamar Vieira Junior, Michel Alcoforado, Rafael Calça, Márcia Kambeba e Geni Núñez, além de autores e artistas locais. Oevento segue até domingo, 18, com bate-papos, lançamentos de livros, contações de histórias e atividades culturais.

Natural de Presidente Prudente/SP, Maria Eduarda Costa mora em Maringá há seis anos e, desde então, frequenta a Flim. “A cada ano me surpreendo mais com a organização, os convidados e as atividades. O mais incrível é a oportunidade de sair da nossa ‘bolha’ literária e conhecer outros autores.”

A estudante Maria Clara Costa Félix salientou o incentivo da Flim para a leitura entre crianças e adolescentes. “É um evento divertido, que desperta o interesse pelos livros e permite conhecer diferentes culturas. Hoje, muita gente lê pela internet, inclusive eu, mas prefiro o livro físico. A leitura ajuda tanto na escola quanto na vida.”

Encontros com autores – Um dos momentos mais aguardados da noite foi o bate-papo com Itamar Vieira Junior, autor de Torto Arado e Coração sem Medo. O escritor celebrou a participação na Flim. “Para mim, é um presente e um privilégio estar aqui com vocês. Quando estava chegando, vi um temporal e pensei: ‘será que as pessoas vão se animar a sair de casa para enfrentar essa chuva?’”. Ao encontrar os auditórios cheios, comemorou: “Maringá é uma cidade de leitores. Que bom!”

O escritor e antropólogo Michel Alcoforado, autor de Coisa de Rico, abordou as relações sociais e a contribuição da antropologia para compreender diferentes modos de vida. “É uma alegria gigantesca estar aqui na Flim. Que energia maravilhosa da galera, com perguntas muito importantes. A antropologia pode ser uma ciência muito útil para fazer a gente pensar e refletir sobre a vida e os modos de vida.”

O quadrinista Rafael Calça, que também participou da edição de 2025, conversou com estudantes sobre autoestima, identidade e enfrentamento ao racismo. “É muito bom voltar à Flim e conversar com quem gosta de quadrinhos, especialmente com as crianças das escolas, sobre autoestima e narrativas negras.”

A escritora indígena Guarani e psicóloga Geni Núñez também celebrou o reencontro com o público. “Estou muito feliz de retornar à feira. É uma sensação de saudade, mas também de encontro. Acho que estar junto, pessoalmente, faz muita diferença.”

Márcia Kambeba, escritora indígena do povo Omágua Kambeba, abordou ancestralidade, memória e identidade dos povos originários no bate-papo Das águas à floresta, que também contou com uma cantoria indígena. “É muito importante compreender a literatura indígena e conversar sobre como trabalhá-la em sala de aula e na vida.”

Entre as atrações locais, o artista maringaense Adriano Braga apresentou a contação de histórias Passarinho na gaiola, voltada ao público infantil. “Estou muito contente de participar dessa festa incrível que é a Flim. A história ensina, de forma lúdica, que amar também é respeitar a liberdade”, destacou.

Atrações – A estrutura está distribuída em dois espaços. Na Travessa Jorge Amado, livreiros, editoras e instituições culturais recebem os visitantes em estandes e atividades abertas ao público. Do outro lado da avenida, no estacionamento do Estádio Regional Willie Davids, ficam os auditórios Sertões e Capitu, além do Circo Literário, que concentram encontros com autores e apresentações culturais.

O prefeito Silvio Barros enalteceu a participação popular. “Os auditórios estão cheios. Dizem que os jovens só querem ficar nas telas, mas aqui, nos estandes, vemos muitos deles interessados nos livros. A Flim é uma grande fonte de cultura e, apesar da chuva, estamos vendo uma grande movimentação.”

O secretário de Cultura, Tiago Valenciano, enfatizou que a Flim democratiza o acesso à literatura e aproxima a população de escritores de diferentes trajetórias. “A Flim 2026 é um espaço de encontro entre autores e leitores, que valoriza a literatura e incentiva a formação de novos públicos. A edição deste ao está maior e melhor. Estamos felizes com o interesse do público.”

Programação – O bate-papo com Marcelo Rubens Paiva na Flim foi transferido para esta sexta-feira,16. As demais atrações da programação seguem conforma programado. Confira aqui.

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