A Festa Literária Internacional de Maringá (Flim 2026) recebeu nesta sexta-feira, 16, o escritor, roteirista e dramaturgo Marcelo Rubens Paiva, no bate-papo Quando o pessoal é também a história de um país. O público de cerca de 3 mil pessoas prestigiou o momento no Circo Literário e na área ao redor, que foi ampliada com cadeiras adicionais, telão e caixas de som distribuídas pelo estacionamento do Estádio Willie Davids.
Autor do livro Ainda estou aqui, que foi adaptado para o cinema e recebeu o Oscar de Melhor Filme Internacional, em 2025, Paiva declarou estar surpreso com tanta gente reunida. “O bate-papo foi leve e descompromissado, com perguntas muito inteligentes, foi uma noite muito emocionante. Estou feliz de estar aqui, eu já conhecia Maringá e adoro essa cidade.”
O escritor atraiu um grande número de jovens nesta terceira noite da Flim, que conheceram sua obra recentemente, com o sucesso do filme. “O bate-papo foi incrível. É uma experiência absurda estar aqui com uma pessoa tão resiliente, que passou por tempos extremamente difíceis, mas continua lutando. Foi muito inspirador”, disse a estudante Giovanna Marana.
A estudante Aline Neves chegou no evento cedo para poder sentar próxima ao escritor. “Ele consegue falar de assuntos sensíveis, como o Alzheimer da mãe dele, com muita sensibilidade. Isso me tocou muito e eu estou muito feliz com essa oportunidade de ver e ouvi-lo pessoalmente.”
Para Sofia Kamigouchi, também estudante, a Flim é uma iniciativa importante da Prefeitura de Maringá, por aproximar e despertar o interesse das pessoas mais jovens pela leitura. “Eu venho há mais de dez anos, meus pais me traziam quando eu era bem pequena. Os diferentes espaços da feira, principalmente o Circo Literário, chama muita atenção das crianças e desperta o interesse pela leitura e outras artes.”
Bate-papos – Outro momento de destaque foi o bate-papo Palavras para desobedecer o mundo, no Auditório Capitu, com a escritora e poeta indígena Tatiana Nascimento e a poeta e professora Ryane Leão, com mediação de Erica Paiva Rosa.
“As mulheres sempre estiveram na literatura, mas agora a gente está conseguindo expandir os espaços. Eu acredito que a gente se movimenta na identificação. As mulheres se identificam com meu trabalho, então se reconhecem em mim e se erguem para sonhar, para fazer festa, serem desobedientes e livres. Eu estou feliz de estar aqui e esse é um momento de partilhar possibilidades”, declarou Leão.
“Estou muito honrada de estar aqui, de estar em uma cidade de luta, de ver uma programação bem diversa da feira. As pessoas subalternizadas, pretas, indígenas, têm produzido cultura desde antes do Brasil ser Brasil, então o que chamam de ‘nossa contribuição’ é o solo de muita coisa. O destaque que estão dando a essas pessoas agora é uma justiça social”, pontuou Nascimento.
No Auditório Sertões, ocorreu a conversa Culturas do Torcer: Memórias, Identidades e Pertencimento no Futebol, com o jornalista Marcelo Duarte. Curador do Museu do Futebol e criador da coleção O Guia dos Curiosos, Duarte discutiu a paixão nacional pelo futebol por uma ótica cultural e histórica. “Eu estou muito feliz de ter sido convidado pela Flim para falar de uma das minhas paixões, que é o futebol. Apesar de muita gente não acreditar, futebol é cultura também. Eu ainda aproveitei a minha vinda para conhecer a feira e, claro, o Estádio Willie Davids.”
“A Flim mostra, mais uma vez, a força da cultura como instrumento de transformação, conhecimento e desenvolvimento humano. Ver o Circo Literário cheio para receber Marcelo Rubens Paiva e acompanhar a participação de tantos jovens em atividades que promovem a leitura, a reflexão e o diálogo é motivo de muita alegria e orgulho para Maringá”, declarou o Prefeito Silvio Barros
Para o secretário de Cultura, Tiago Valenciano, a programação demonstra a importância de oferecer à população experiências culturais diversas, acessíveis e de qualidade. “Essa diversidade é uma das grandes riquezas da Flim. Queremos que cada visitante encontre algo que dialogue com sua história, seus interesses e suas perspectivas, seja por meio dos livros, das conversas com os autores, das contações de histórias, da música ou das demais atividades culturais.”
Fim de semana – O evento segue neste sábado, 17, e domingo, 18, com bate-papos, lançamentos de livros, contações de histórias, shows e atividades culturais. Entre os destaques nacionais estão escritoras vencedores, finalistas e semifinalistas do Prêmio Jabuti, como Marilene Felinto e Bethânia Pires Amaro. Participam, ainda, nomes como Amara Moira, Clara Alves, Fábio Luis Barbosa dos Santos, entre outros participantes. Confira a programação completa aqui.
A estrutura está distribuída em dois espaços. Na Travessa Jorge Amado, livreiros, editoras e instituições culturais recebem os visitantes em estandes e atividades abertas ao público. Do outro lado da avenida, no estacionamento do Estádio Regional Willie Davids, ficam os auditórios Sertões e Capitu, além do Circo Literário, que concentram encontros com autores e apresentações culturais.
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