Em uma reviravolta para o setor aéreo, a Petrobras anunciou nesta quarta-feira (1º) que decidiu reduzir drasticamente o reajuste do Querosene de Aviação (QAV). Em vez da alta de 54,8% que havia sido comunicada às distribuidoras no início da semana, o combustível subirá 18% em abril.
A medida ocorre após o setor sinalizar que um repasse integral tornaria os preços das passagens proibitivos, pressionando ainda mais a inflação.
Parcelamento e Fôlego Financeiro
Além de reduzir o percentual imediato, a estatal ofereceu uma condição inédita de pagamento para as distribuidoras:
- Aumento em abril: Limitado a 18%.
- Parcelamento: A diferença entre o valor de contrato e o reajuste aplicado poderá ser paga em seis parcelas.
- Carência: O primeiro vencimento ocorrerá apenas em julho de 2026.
A Petrobras justificou a decisão citando a necessidade de “preservar a demanda” e “mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro”, especialmente diante da volatilidade causada pelos conflitos no Oriente Médio.
O Impacto no Bolso do Passageiro
A preocupação do governo e das companhias tinha fundamento técnico. Segundo Manuel Irarrázaval, diretor da holding Abra (Gol e Avianca), o combustível é o maior custo do setor:
“Cada aumento de US$ 1 no combustível representa um reajuste de 10% nas tarifas aéreas.”
Antes mesmo deste anúncio, o cenário já era de alta. Dados do IBGE mostraram que as passagens subiram 5,94% na primeira quinzena de março, sendo o item que mais pesou na inflação do período. Levantamentos em sites de vendas também apontaram um salto de 15% nos bilhetes em apenas dez dias.
Próximos Passos
As distribuidoras, como a Vibra Energia, que já haviam se preparado para repassar o aumento total, agora devem ajustar suas tabelas. O termo de adesão para que as empresas aceitem o novo modelo de cobrança da Petrobras será apresentado até o dia 6 de abril.
A petroleira informou que mecanismos semelhantes de parcelamento poderão ser aplicados em maio e junho, dependendo do comportamento do mercado internacional, buscando manter a “neutralidade financeira” sem asfixiar as companhias aéreas brasileiras.

