“Cão perito” do Paraná é um dos únicos especialistas em detecção de vestígios de sangue no Brasil

Repórter Jota Silva
Repórter Jota Silva - Jornalista | Registro Profissional Nº 0012600/PR
4 Lidos

O trabalho pericial tem um aliado de quatro patas no Paraná. Treinado para detectar vestígios mínimos de sangue em cenas de crime, o Raman, um cachorro da raça pastor-belga, já se destaca como um recurso inovador — e altamente eficiente — no apoio às perícias. Segundo cão no Brasil preparado para esse tipo de atuação, ele acumula um histórico notório: atuou em 11 locais de crime e contribuiu positivamente em todos.

“A diferença do trabalho do cão para as outras tecnologias é essa: o ambiente pode ser grande e a varredura dele é muito eficiente. Às vezes o local é muito grande, a mancha é muito pequena ou está escondida, ou já tentaram limpar, então fica difícil para o perito encontrar visualmente”, afirma a perita oficial da Polícia Científica do Paraná (PCIPR), uma das responsáveis pelo treinamento do cão, Viviane Zibe.

Na prática, o trabalho do Raman funciona como um direcionador da perícia. Ao marcar um ponto específico, ele orienta o perito, que então aplica técnicas como o uso de reagentes ou coleta de materiais para análise laboratorial. Quando se trata de objetos, como roupas ou armas, eles são recolhidos e enviados para confirmação em laboratório de genética.

Integrado à rotina, Raman é acionado sempre que há necessidade de localizar possíveis vestígios de sangue, especialmente em situações em que o trabalho humano enfrenta limitações. A dinâmica começa com a solicitação da Polícia Civil ao perito de local, que, diante de cenários complexos ou de difícil análise, pede o apoio do cão.

Os resultados até agora reforçam a eficácia do perito de quatro patas. Em buscas realizadas em veículos, residências e até em uma área de mata, Raman apresentou um índice de acerto total. Em quatro carros analisados, indicou corretamente a presença de sangue em um deles — confirmado posteriormente — e não sinalizou nos outros três, onde nada foi encontrado.

CÂMARA VAI OUVIR VOCÊ

Já em outras ocorrências em cinco casas diferentes, marcou positivo para sangue em quatro, todas com confirmação posterior, e não indicou vestígios em uma, onde também não havia sangue.

FARO EM GRANDES ÁREAS – Um dos casos acompanhados pelo Raman ocorreu em uma área de mata, com grande extensão e vegetação densa, o que dificultava a localização de vestígios apenas por análise visual. Nessas condições, o uso do faro foi determinante para direcionar o trabalho pericial.

“Era um lugar muito grande, cheio de árvores, e seria muito difícil o perito encontrar visualmente. O Raman marcou o sangue no sofá que estava fora da casa, pegou o rastro do odor e, num local bem distante, encontrou as roupas da vítima.” explica a perita oficial da PCIPR.

O material foi coletado e encaminhado para análise em laboratório de genética, onde a presença de sangue foi confirmada, reforçando a precisão do trabalho e a utilidade do cão em locais de difícil varredura.

TREINAMENTO – O desempenho de Raman é resultado de um treinamento longo e contínuo, iniciado ainda em sua chegada à instituição, em 2023. O processo começou com etapas de obediência e adaptação, fundamentais para o controle em campo, e evoluiu para um preparo específico na detecção de sangue, dividido em fases. Primeiro, o cão foi exposto ao odor por alguns meses; depois, passou a identificar o cheiro em diferentes estímulos controlados; e, por fim, avançou para buscas em ambientes variados, com vestígios ocultos.

O treinamento segue em aprimoramento constante, acompanhando a complexidade das situações encontradas nas perícias.

Raman, cachorro da raça pastor-belga
CÂMARA VAI OUVIR VOCÊ
Compartilhe este artigo
Jornalista | Registro Profissional Nº 0012600/PR
Seguir
Quem é o Repórter Jota Silva — Sou o Jota Silva (Carlos José da Silva), jornalista, programador e fundador do portal Saiba Já News. Com uma longa trajetória na comunicação do Paraná, uno o jornalismo independente aos bastidores da economia, tecnologia e utilidade pública. Sou especialista em mídia digital e edição, traduzindo fatos complexos com agilidade e foco no que mais importa para o leitor. Se você valoriza o jornalismo independente e quer colaborar com o meu trabalho, minha chave PIX é: [email protected]