A Prefeitura de Maringá realizou neste sábado, 23, uma consulta pública para apresentação e debate de propostas voltadas à revitalização do Maringá Velho, bairro histórico onde teve início a ocupação da cidade. A iniciativa do município, por meio das secretarias de Urbanismo e Habitação (Seurbh), Mobilidade Urbana (Semob) e de Cultura (Semuc), entre outras pastas, reuniu moradores, comerciantes, proprietários de imóveis, lideranças comunitárias e representantes do poder público. Além de poder contribuir com o debate de forma presencial, a comunidade pode participar por meio de formulário on-line, que ficará disponível pelos próximos 15 dias para recebimento de opiniões, sugestões e novas propostas. As contribuições serão analisadas para subsidiar as próximas etapas do projeto. Acesse aqui o formulário da consulta pública.
Durante a reunião, foram apresentados três eixos principais do projeto de revitalização. Na área de infraestrutura e mobilidade, as propostas incluem priorização do pedestre e modais leves, com ciclovia, nivelamento da via com a calçada, instalação de mobiliário urbano, além de padronização das calçadas, intensificação da iluminação pública e rebaixamento da fiação elétrica. No eixo de preservação do patrimônio cultural e espaços públicos, as propostas contemplam a identificação e valorização dos ‘lugares de memória’ e de personagens ligados à história local, limpeza de fachadas de edifícios e revitalização de praças da Avenida Brasil. Já na área de turismo e economia, o município apresentou propostas de incentivo para atividades econômicas ligadas à cultura e gastronomia, além da criação de um circuito turístico do Maringá Velho.
Moradora do bairro há 35 anos, a aposentada Marina Cassani de Souza avaliou como positiva a possibilidade de colaborar com ideias para melhorias. “As calçadas do bairro, por ser uma região antiga, têm muitos desníveis. Se essa característica puder melhorar, será ótimo. É importante que possamos dar a nossa contribuição e apresentar expectativas”, disse.
O comerciante Hernandes dos Santos Lima, proprietário de um depósito de materiais de construção instalado na região no ano passado, também aprovou a iniciativa do município de ouvir as propostas da população. “Quem vive ou trabalha no bairro pode contribuir bastante. Melhorias nas calçadas vão fazer diferença para quem trabalha com logística e também para a acessibilidade”, frisou.
Sócio proprietário de um hotel localizado no bairro há 42 anos, Pedro Galbiatti Junior disse sentir falta de diversidade comercial no bairro, o que será favorecido com a revitalização da região. “A iniciativa da Prefeitura é excelente porque cada um pode apresentar suas demandas. Nós sentimos falta de comércios de alimentos, restaurantes, que possam dar vida ao bairro em mais horários. Nessa reunião, sentimos que o projeto vai acontecer”, declarou.
O pioneiro José Correia Barbosa, que há 70 anos mora e há 60 empreende no Maringá Velho também marcou presença. “Maringá cresceu, mas eu conheço bem mesmo é o Maringá Velho. Alguns aspectos nas ruas e avenidas podem melhorar para as próximas gerações.”
Durante a abertura do encontro, por meio de vídeo, o prefeito Silvio Barros enfatizou o papel fundamental da participação popular na definição das intervenções. “Esse é um processo de urbanismo colaborativo. Queremos discutir com a comunidade como ocupar os espaços públicos e adequar os projetos levando em conta o desejo das pessoas. Esse é um momento de participação e de construção coletiva para balizar as ações da Prefeitura dentro das possibilidades legais e da capacidade de execução do município”, afirmou.
A vice-prefeita Sandra Jacovós ressaltou que o Maringá Velho representa um dos pilares históricos da cidade e que as propostas apresentadas visam conciliar preservação e modernização. “A Prefeitura tem sido constantemente demandada para que haja uma revitalização desse espaço, preservando suas características históricas, mas também permitindo uma valorização mais contemporânea da região. Esse modelo de gestão, baseado no urbanismo colaborativo, permite discutir as propostas com quem conhece a realidade do bairro e vivencia diariamente suas necessidades”, comentou.
O secretário de Urbanismo e Habitação, Matheus Barros, explicou que o encontro teve como objetivo apresentar diretrizes iniciais e ouvir a população antes da definição das futuras intervenções urbanas. “É um momento de diálogo com a comunidade para apresentar propostas que começaram a ser desenvolvidas para a Avenida Brasil e para o entorno do Maringá Velho. A intenção é criar espaços mais agradáveis para o pedestre, um trânsito mais organizado e seguro e promover novos usos para a região, com soluções que confiram mais vitalidade para o bairro durante o dia e também à noite”, disse. Ele acrescentou que o município estuda um modelo de edital para que proprietários possam apresentar propostas individuais de revitalização de calçadas, recuos e espaços voltados ao uso de pedestres, com análise técnica caso a caso.
O deputado federal Ricardo Barros parabenizou a apresentação das propostas e estimulou a participação da comunidade no processo de transformação urbana. “Toda mudança gera impactos, por isso é importante ouvir as pessoas. Participem. Esse planejamento é muito útil para avaliar quais intervenções serão mais adequadas para enfrentar a complexidade da Avenida Brasil, por exemplo. Tenho uma relação histórica com o bairro, meus pais frequentavam a Capela Santa Cruz e sempre tivemos preocupação com a preservação e revitalização dessa região. Parabenizo a iniciativa da Prefeitura.”
Patrícia Saugo, diretora-presidente da Agência Maringá de Tecnologia e Inovação (Amtech), que conduziu a consulta pública, reforçou que as sugestões da comunidade para o planejamento urbano são essenciais. “Uma cidade inteligente não está relacionada apenas à tecnologia, mas principalmente à participação das pessoas. As contribuições da comunidade ajudam a construir espaços públicos mais funcionais, agradáveis e conectados com a realidade do bairro.”
Para a presidente da Câmara de Vereadores, vereadora Majô, discutir o futuro do Maringá Velho é pensar no desenvolvimento da cidade para os próximos anos. “Cada região da cidade possui necessidades diferentes. Por isso, é importante ouvir quem vive e conhece o bairro para construir espaços públicos que façam sentido para as pessoas”, pontuou.
Presenças – Também estiveram presentes a primeira-dama e presidente do Pra Somar, Bernadete Barros; os vereadores Bravin Junior, Flávio Mantovani, Professor Pacífico e Professora Ana Lucia; a diretora-presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Maringá (Ipplam), Tânia Verri; e secretários municipais.






