‘Mobilização do Meio-Dia’ reforça combate ao feminicídio e mobiliza comunidade em Maringá

Ação integra a campanha estadual ‘Paraná Unido no Combate ao Feminicídio’ e reforça a prevenção, a conscientização e o apoio às mulheres em situação de violência

Repórter Jota Silva
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Balões com nomes de vítimas, faixas e depoimentos deram voz à dor de famílias marcadas pela violência. Em meio ao minuto de silêncio, a mobilização transformou o luto em alerta e resistência (Crédito: Rafael Macri/PMM)

A ‘Mobilização do Meio-Dia’ reuniu dezenas de pessoas vestidas de branco nesta quarta-feira, 22, em frente ao Paço Municipal, em um ato de homenagem às mulheres vítimas de feminicídio e de reafirmação da defesa da vida e da proteção feminina. Veículos dos órgãos de segurança que integram a rede de atendimento à mulher em Maringá ocuparam o espaço. Balões com nomes de vítimas, faixas e depoimentos deram voz à dor de famílias marcadas pela violência. Em meio ao minuto de silêncio, a mobilização transformou o luto em alerta e resistência.

A ação integra a campanha estadual ‘Paraná Unido no Combate ao Feminicídio’ e foi promovida pela Prefeitura de Maringá, por meio da Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres (Semulher). A iniciativa teve como foco prevenir a violência, conscientizar a sociedade e orientar mulheres em situação de risco. O ato também ajudou a preservar a memória das vítimas de feminicídio em Maringá e reforçou que nenhuma mulher deve enfrentar a violência sozinha.

Daisa Poltronieri, mãe da bailarina Maria Glória Poltronieri Borges, a Magó, vítima de feminicídio em 2020, enfatizou a importância de manter viva a mobilização contra a violência. “É fundamental que a sociedade reconheça que esse problema existe e que as mulheres saibam que podem buscar ajuda e denunciar seus agressores. Ainda seguimos na luta por justiça. Há seis anos e meio aguardamos o julgamento. A demora aumenta a dor, mas continuo acreditando que a justiça virá”, disse.

“Participar das mobilizações reacende a dor, mas também fortalece as famílias. Não vamos silenciar as vozes de Magó, Daniela e Marielle. Elas continuam ecoando por meio da nossa luta”, esboçou Ana Poltronieri, irmã da ‘Magó’, e complementou: “ A luta é necessária, lutar por justiça e por políticas públicas de prevenção à violência contra a mulher. A sociedade precisa compreender que a vergonha deve mudar de lado. São muitas mulheres vítimas de feminicídio e de violência de gênero.”

Luciana Marinelo Laudim participou da mobilização para manter viva a memória da irmã, a soldado da Polícia Militar Daniela Carolina Marinelo, vítima de feminicídio em 2023. “Muitas mulheres sentem vergonha e permanecem caladas em relacionamentos abusivos. Minha irmã era policial militar e também foi vítima. Isso mostra que qualquer mulher pode estar sujeita à violência. Por isso é fundamental incentivar as vítimas a falar e buscar ajuda. Precisamos alertá-las para que tenham coragem de contar o que estão vivendo”, constatou.

O prefeito Silvio Barros ressaltou que o enfrentamento ao feminicídio exige a participação ativa dos homens. Segundo ele, familiares, amigos e colegas podem ajudar a identificar comportamentos abusivos e orientar quem demonstra atitudes motivadas por ciúme ou controle. Ele também destacou a importância de acompanhar os indicadores que antecedem os casos mais graves. “O número de feminicídios não pode ser o único dado observado. Precisamos olhar para as denúncias, acolher as mulheres e agir assim que a violência chega ao nosso conhecimento. Essa conscientização é importante para evitarmos novas vitimas”, reforçou.

A secretária de Políticas Públicas para as Mulheres, Leila Domenici, frisou que a obrigação do poder público é agir, mas também é dever de cada cidadão denunciar. “Esse minuto de silêncio não é vazio. É um grito contido, mas potente, contra a dor que ainda cala muitas mulheres no nosso estado. A campanha orienta a população sobre como reconhecer situações de violência, oferecer ajuda e acionar a rede de proteção. Feminicídio não é fatalidade. É crime, e precisamos dar um basta”, pontuou.

A vereadora Akemi Nishimori pontuou o fortalecimento da rede de proteção às mulheres em Maringá. “A mobilização e as ações crescem a cada ano e mostra que as mulheres não estão sozinhas. É surpreendente ver a coragem das famílias que transformam a dor em luta”, disse.

Luzia Garcia, moradora de Maringá, decidiu participar da mobilização ao conhecer a proposta do ato. “Fiquei feliz ao saber que era uma ação em defesa das mulheres. Chega de sofrimento. A sociedade precisa dar um basta”, afirmou.

Canais de atendimento — Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190 ou a Guarda Civil Municipal, por meio da Patrulha Maria da Penha, pelo 153. Denúncias também podem ser feitas pelo 180, canal nacional que encaminha os casos para apuração da Polícia Civil.

Presenças – Participaram da Mobilização do Meio-Dia a primeira-dama e presidente do Pra Somar, Bernadete Barros; a vice-prefeita Sandra Jacovós; o vereador Diogo Altamir; a presidente do Fórum Maringaense de Mulheres, Tânia Tait; a supervisora da Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal de Maringá, Sueli Braga; a advogada do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria), Sandra Regina de Freitas do Nascimento; a assistente social e representante do Conselho da Comunidade de Execuções Penais de Maringá, Francielle Moura; a conselheira do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, Sueli Castilho Caparroz; a superintendente da Delegacia da Mulher, Tatiana May; o comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Nogueira; o subtenente do Tiro de Guerra, Fábio Roque; a chefe-adjunta da Polícia Científica, Carmen Lúcia Ruiz; a presidente do Conselho Municipal da Mulher, Donária Rizzo; a policial penal Thaís Samaritano; a presidente da ONG Maria do Ingá, Ana Maria Tardeli; secretários municipais e demais autoridades.

Parcerias – O evento teve a parceria do 4º Batalhão da Polícia Militar do Paraná, Secretaria de Segurança Pública de Maringá, Guarda Civil Municipal, Samu, Delegacia da Mulher, Departamento de Polícia Penal, Polícia Civil e Tiro de Guerra.

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Quem é o Repórter Jota Silva — Sou o Jota Silva (Carlos José da Silva), jornalista, programador e fundador do portal Saiba Já News. Com uma longa trajetória na comunicação do Paraná, uno o jornalismo independente aos bastidores da economia, tecnologia e utilidade pública. Sou especialista em mídia digital e edição, traduzindo fatos complexos com agilidade e foco no que mais importa para o leitor. Se você valoriza o jornalismo independente e quer colaborar com o meu trabalho, minha chave PIX é: jsilvamga@gmail.com