Dois dias depois de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), entrar na lista de penalizados pela Lei Magnitsky, um dos advogados de Daniel Vorcaro se ofereceu para socorrê-lo. Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro mostram que Walfrido Warde, que atuou na defesa de Vorcaro até janeiro, propôs uma “estratégia” para tirar o ministro das sanções norte-americanas. A informação foi revelada pelo jornal O Globo.
A ideia era acionar a Corte Interamericana de Direitos Humanos sob o argumento de que o governo Donald Trump atacava um ministro do STF para viabilizar a eleição de Jair Bolsonaro em 2026. “Acho que nós deveríamos ajudar na defesa do seu amigo Alexandre lá nos EUA”, escreveu Warde ao ex-banqueiro em 1º de agosto de 2025. “Eu, além das relações, tenho uma estratégia para ajudá-lo na Corte de direitos humanos.”
Vorcaro respondeu que iria conversar com Moraes. “Vamos”, disse. “Vou falar com ele.” Warde então detalhou o argumento: “Não há alguém aqui que possa ajudar mais do que nós. Quero nada em troca. Só ajudar mesmo. O presidente americano está atacando, com uso da lei e dos seus poderes de presidente, um juiz togado brasileiro para viabilizar a eleição, no Brasil, de um seu subordinado, que é Jair Bolsonaro, acusado de golpe de Estado e processado na Suprema Corte do Brasil.”
Moraes havia sido incluído na lista da Magnitsky, mecanismo criado no governo Barack Obama para punir autoridades estrangeiras acusadas de violar direitos humanos e que impõe nos Estados Unidos restrições comparadas a uma “pena de morte financeira”. O enquadramento oficializou a ofensiva de Trump contra o Judiciário brasileiro.
A sanção contra o ministro durou seis meses. Moraes saiu da lista em dezembro de 2025, em meio à reaproximação entre Brasília e Washington.

