O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou um tom de forte reprovação à ofensiva militar coordenada por Estados Unidos e Israel contra o Irã, ocorrida neste sábado (28). Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores expressou “grave preocupação” e criticou o uso da força em meio a processos diplomáticos. No entanto, o posicionamento do Itamaraty ignora o histórico de opressão do regime teocrático iraniano, marcado pela ausência de liberdades civis e pela violência sistemática contra mulheres.
A diplomacia do silêncio seletivo
Ao defender a negociação como o “único caminho viável para a paz”, a gestão Lula evita tocar em feridas expostas da ditadura iraniana. Enquanto o Brasil apela pelo respeito ao Direito Internacional, o regime que Teerã sustenta é internacionalmente denunciado por execuções políticas e pela repressão brutal a manifestantes que clamam por direitos básicos.
Para muitos analistas, ao se colocar ao lado do ditador iraniano sob o pretexto da neutralidade, o governo brasileiro fecha os olhos para uma realidade onde:
- Mulheres são perseguidas: A falta de liberdade feminina é lei, com relatos frequentes de abusos, prisões e mortes de cidadãs que desafiam as rígidas normas de conduta.
- A dissidência é eliminada: O país é um dos que mais aplica a pena de morte no mundo, muitas vezes contra opositores políticos e minorias.
Operação Fúria Épica e o cenário global
Do outro lado, o presidente americano Donald Trump confirmou a “Operação Fúria Épica”, justificando-a como uma medida defensiva para eliminar ameaças nucleares e proteger cidadãos americanos. Trump afirmou que o objetivo é neutralizar a estrutura militar do regime, enquanto o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que a ação visa criar condições para que o povo iraniano “tome seu destino em suas próprias mãos”.
Enquanto o mundo assiste à escalada militar, o Itamaraty mantém o foco na segurança dos brasileiros na região, com o embaixador André Veras Guimarães monitorando a situação em Teerã. Contudo, no campo político, a postura do Planalto reacende o debate sobre até que ponto a “tradição diplomática” brasileira deve servir de escudo para regimes que atropelam os Direitos Humanos.

