Mais de 370 estudantes do 1º ao 5º ano da Escola Municipal Pastor João Barbosa de Macedo, em Maringá, já passaram por exames oftalmológicos pelo Programa ‘Olhando para o Futuro’. A escola está entre as 45 contempladas com o projeto, iniciado em abril. Mais de 12 mil crianças foram avaliadas e mais de 3.100 óculos foram entregues a estudantes com necessidade de correção visual.
Até o final do ano o programa chegará a todas as 53 escolas da rede municipal de ensino, quando a previsão é alcançar cerca de 18 mil alunos, do ensino fundamental, com o programa inédito na Prefeitura de Maringá. Realizada pelas secretarias de Educação e Saúde, a iniciativa leva a consulta oftalmológica para dentro das escolas e permite identificar possíveis alterações na visão durante a rotina escolar.
Os exames são realizados em diferentes etapas. A consulta inicial, na própria escola, utiliza equipamentos capazes de identificar até sete tipos de alterações visuais. Quando é confirmada a necessidade de uso de óculos, a ótica entra em contato com os pais ou responsáveis para que escolham a armação. A família pode fazer a escolha on-line ou comparecer ao estabelecimento para que a criança experimente as opções disponíveis. Depois, os óculos são confeccionados e entregues ao estudante na própria escola.
A possibilidade de descobrir se precisava ou não de óculos despertou sentimentos diferentes entre os estudantes. Aos 7 anos, Luiz Otávio Faria estava animado para fazer o exame. A mãe já havia conversado com ele sobre a possibilidade de precisar do acessório. “Minha mãe falou que, se eu precisasse usar, ela iria comigo escolher um par de óculos bem legal. Eu acho que vai ser divertido escolher.”
Já Gael Oliveira, de 6 anos, chegou ao exame preocupado com a possibilidade de precisar de óculos. Depois da consulta, descobriu que não precisava de correção visual. “Eu achei que iria precisar de óculos, mas fiz o exame e descobri que está tudo bem com a minha visão. Foi bom fazer para ter certeza.”
Para o oftalmologista responsável pelos atendimentos, Emerson Oyamaguchi, a forma como o exame é realizado ajuda a reduzir a ansiedade das crianças. “Elas ficam curiosas para entender como o exame funciona. Quando encontramos alguma alteração, explicamos para elas o que está ocorrendo e como a correção pode ajudar. Também orientamos sobre a importância de usar os óculos quando há indicação, para que elas se adaptem melhor.”
A secretária de Educação, Adriana Palmieri, destaca o papel das famílias na realização dos exames. “Muitas vezes, a própria escola é um dos primeiros lugares onde uma dificuldade de visão pode ser percebida, porque o professor acompanha a criança durante as atividades e pode notar quando ela não consegue enxergar bem a lousa ou acompanhar uma leitura. Por isso, a autorização dos pais é fundamental para que a consulta seja feita e, se houver alguma alteração, a família possa dar continuidade ao atendimento.”
O secretário de Saúde, Antônio Carlos Nardi, explica que o trabalho conjunto permite que a identificação de uma alteração visual não fique restrita ao diagnóstico. “O trabalho integrado permite que a criança seja avaliada, que a necessidade seja identificada e que o atendimento tenha continuidade. Assim, conseguimos acompanhar cada caso e oferecer a solução indicada para aquele estudante. Além do trabalho nas escolas, realizamos mutirões para atender os casos em que só os óculos não foram suficientes. As crianças passam por outros exames e recebem o encaminhamento adequado.”
Aprendizagem também passa pelo cuidado com a visão – A dificuldade para enxergar pode interferir em atividades simples da rotina escolar, como acompanhar o que está escrito no quadro, ler textos ou realizar exercícios. Por isso, identificar alterações visuais durante os primeiros anos de escolarização pode ajudar a evitar que um problema de visão seja confundido com dificuldade de aprendizagem.
O cuidado com a visão também se relaciona ao acompanhamento do desempenho escolar. No Ideb 2025, Maringá alcançou nota 7,4 nos anos iniciais do ensino fundamental da rede pública, a maior entre os municípios brasileiros com mais de 400 mil habitantes. O índice considera o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), além dos indicadores de rendimento escolar.






