Receita Federal identifica divergências de R$ 44 bilhões em créditos de PIS e Cofins

Receita Federal

A Receita Federal identificou divergências em aproximadamente R$ 44 bilhões em créditos do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) declarados por cerca de 12 mil empresas. Os contribuintes serão orientados a regularizar as informações por meio da Escrituração Fiscal Digital das Contribuições (EFD-Contribuições).

Segundo o órgão, a medida busca garantir que os créditos sejam corretamente reconhecidos e possam ser utilizados sem impedimentos durante a transição para a reforma tributária, que substituirá os dois tributos pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) a partir de 2027.

De acordo com a Receita, as inconsistências foram encontradas nos créditos informados pelas empresas e precisam ser ajustadas para evitar problemas futuros na compensação ou no ressarcimento dos valores.

Os números envolvidos chamam a atenção:

  • 12 mil empresas (aproximadamente) apresentaram divergências;
  • R$ 44 bilhões é o valor estimado das inconsistências;
  • R$ 140 bilhões é o universo total de créditos de PIS e Cofins estimado no sistema.

Créditos preservados

A Receita reforçou que os créditos legítimos de PIS e Cofins não serão perdidos com a entrada em vigor da reforma tributária. Os saldos acumulados poderão ser utilizados para:

  • Compensar débitos da futura CBS;
  • Abater outros tributos federais;
  • Pedir ressarcimento em dinheiro.

A regra valerá tanto para créditos já existentes quanto para aqueles acumulados até a implementação do novo sistema tributário.

Como funciona o sistema de créditos

O PIS e a Cofins são contribuições federais cobradas sobre o faturamento das empresas. Dependendo do regime tributário adotado, os contribuintes podem gerar créditos relacionados a despesas ligadas à atividade econômica.

Entre as operações que costumam gerar créditos estão:

  • Compra de insumos;
  • Aquisição de mercadorias para revenda;
  • Contratação de determinados serviços essenciais.

Esses valores podem ser descontados do montante devido em tributos, reduzindo a carga tributária e evitando a chamada cumulatividade ao longo da cadeia produtiva.

Panorama dos créditos no país

Segundo a Receita Federal, atualmente cerca de 100 mil empresas têm créditos de PIS e Cofins registrados. O perfil desse estoque revela uma grande concentração de valores:

  • 70% das empresas têm créditos inferiores a R$ 100 mil;
  • 90% possuem saldo inferior a R$ 1 milhão;
  • O estoque total acumulado é estimado em R$ 140 bilhões.

Transição para a CBS e o papel do sistema em 2026

A utilização dos créditos durante a transição para a CBS será feita por meio do sistema PER/DCOMP Web, plataforma já utilizada para pedidos de compensação e ressarcimento. A Receita informou que o sistema contará com uma funcionalidade específica para permitir o aproveitamento dos saldos após a entrada em vigor da CBS, no próximo ano.

Além disso, a plataforma recuperará automaticamente os saldos declarados na EFD-Contribuições referentes a dezembro de 2026. Segundo o órgão, a medida reduzirá o retrabalho, aumentará a segurança das informações e dará mais previsibilidade às empresas durante a implementação do novo modelo.

Atualmente, em 2026, a reforma tributária está em fase de testes. As empresas já estão operando com a cobrança de uma alíquota simbólica de 0,9% de CBS (tributo federal) e 0,1% de Imposto sobre Bens e Serviços (IBS — administrado por estados e municípios), valores que são integralmente deduzidos dos tributos atuais. A partir de 2027, os tributos sobre o consumo serão gradualmente extintos, e as alíquotas da CBS e do IBS começarão a subir de forma escalonada.

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