Uma nova pesquisa divulgada pelo instituto AtlasIntel revela que a maioria da população brasileira apoia a recente decisão do governo dos Estados Unidos de designar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. De acordo com o levantamento, 53,1% dos entrevistados aprovam a medida, enquanto 44,7% se posicionam contra.
O avanço do crime organizado e o impacto na política nacional foram os temas centrais do debate liderado pelo jornalista Paulo Figueiredo em sua última transmissão. Os dados apresentados acendem o alerta para a gestão federal, evidenciando uma forte insatisfação popular com as políticas de segurança pública em vigência no país.
Infiltração na política é vista como principal atividade das facções
Um dos pontos mais surpreendentes do levantamento da AtlasIntel aponta para uma mudança significativa na percepção do brasileiro sobre o modus operandi do crime organizado. Pela primeira vez, o tráfico de entorpecentes perdeu o topo do ranking de preocupações sobre a atuação desses grupos.
Para 48,3% dos entrevistados, a corrupção e a infiltração na política são as principais atividades do PCC e do Comando Vermelho no Brasil hoje. O tráfico de drogas aparece logo em seguida, mencionado por 44,2% das pessoas ouvidas.
Quando questionados sobre quais instituições ou poderes mais contribuíram para o crescimento e fortalecimento dessas organizações criminosas, a população dividiu as responsabilidades:
- Poder Judiciário: Apontado por cerca de 40% dos entrevistados como o principal responsável.
- Governo Federal: Indicado por 36,3% dos participantes.
- Governos Estaduais: Ficaram em patamar inferior, registrando 22% das menções.
População defende sufocamento financeiro e desconsidera tese de interferência
A pesquisa também revelou o caminho que a sociedade considera mais eficiente para desmantelar as facções. Três em cada quatro brasileiros (75%) defendem que o governo deve priorizar o sufocamento financeiro e econômico das organizações, considerando o congelamento de bens e o combate à lavagem de dinheiro mais eficazes do que o aumento isolado de operações policiais nas periferias.
O argumento de que a classificação terrorista por parte de Washington configuraria uma “interferência externa indevida” na soberania nacional — tese defendida por parlamentares da base governista — não encontrou eco na maioria da população. Segundo os dados, 45,5% dos brasileiros afirmaram não estar “nada preocupados” com uma possível interferência americana, enquanto apenas 6,9% disseram estar “algo preocupados”.
Mais da metade dos brasileiros convive de perto com o narcotráfico
A aprovação massiva de medidas rígidas contra o crime organizado reflete a realidade vivida no cotidiano do país. O levantamento estatístico mostra o tamanho do alcance da violência urbana ligada às facções.
Cerca de 11% dos entrevistados declararam já ter sido vítimas diretas de ações do narcotráfico ou de facções criminosas. Outros 46% afirmaram que, embora nunca tenham sido atingidos diretamente, conhecem alguém muito próximo que sofreu com a ação desses grupos. No total, o impacto atinge diretamente ou indiretamente 57% da população.
Reflexo nas urnas
A agenda de segurança pública promete ser um dos principais divisores de águas no cenário eleitoral. A AtlasIntel mediu o reflexo político desse debate: 50,8% dos eleitores afirmaram que votariam com certeza em um candidato que apoia a classificação das facções brasileiras como entidades terroristas. Em contrapartida, apenas 33,6% declararam preferência por candidatos que se posicionam contra a medida adotada pelos EUA.
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