O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida preventiva foi tomada após a identificação de 42 casos de reações adversas graves em profissionais de saúde da atenção primária, público que vinha sendo imunizado desde fevereiro.
Entre as notificações registradas, três pessoas precisaram de hospitalização e duas delas evoluíram para óbito. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que a interrupção é uma ação de precaução para investigar os casos detalhadamente e que a eficácia do imunizante não está em xeque.
“Essa descontinuidade tem um objetivo que é a ação de precaução, para que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Butantan aprofundem a investigação nos 42 casos (…) para buscar fatores de risco nessas pessoas”, explicou o ministro.
Dados da farmacovigilância e casos graves
Até o dia 30 de maio, haviam sido aplicadas pouco mais de 500 mil doses da vacina do Butantan no país. O balanço do sistema de vigilância aponta os seguintes índices:
- Sintomas leves (similares aos da dengue): 3.703 pessoas (0,7% do total de vacinados).
- Sintomas de alarme (dor abdominal, vômito persistente ou sangramento): 42 pessoas (0,008% dos vacinados).
- Casos graves com hospitalização: 3 relatos específicos.
| Perfil do paciente | Sintomas e evolução clínica | Desfecho |
| Mulher, 39 anos | Febre, mialgia e náuseas; evoluiu para dengue grave com choque e necessidade de UTI. | Recebeu alta hospitalar |
| Mulher, 48 anos | Sintomas de dengue grave com comprometimento neurológico (meningoencefalite) 19 dias após a dose. | Evoluiu para óbito |
| Homem, 58 anos | Quadro febril cinco dias após a vacina, evoluindo para dengue grave com choque refratário. | Evoluiu para óbito |
Monitoramento e orientações à população
A suspensão afeta apenas o imunizante do Butantan. A aplicação da vacina Qdenga (do laboratório Takeda), distribuída regularmente pelo SUS, segue sem alterações.
O Ministério da Saúde informou que as pessoas que receberam a vacina do Butantan nos últimos 21 dias passarão por um acompanhamento especial. A orientação para o cidadão é procurar atendimento médico imediato caso apresente agravamento de sintomas como:
- Febre e dor abdominal intensa;
- Vômitos persistentes e tontura;
- Sangramentos ou sinais de desidratação;
- Sonolência e irritabilidade.
Em nota oficial, o Instituto Butantan reforçou seu compromisso com o rigor científico e a transparência. O órgão lembrou que a vacina demonstrou eficácia global de 79,6% (e 89% contra casos graves) em estudos publicados internacionalmente, e que o monitoramento nos municípios-piloto de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) vinha apresentando resultados positivos até então. As investigações do comitê de especialistas vão avaliar o histórico clínico, comorbidades e possíveis fatores de risco individuais dos pacientes afetados.


