O clima nos corredores do Supremo Tribunal Federal mudou. Três dias após o primeiro turno, a vitória expressiva da direita nas urnas acendeu uma luz vermelha entre os ministros. O Partido Liberal vai ocupar 28 cadeiras no Senado em 2027 — e essa força política pode ser suficiente para, somada a aliados, abrir caminho para um processo de impeachment contra integrantes da Corte.
O temor é real. “Estão apavorados”, revelou uma fonte com acesso aos bastidores do STF, em declaração reservada à Revista Oeste. A Casa responsável por julgar a saída de ministros agora tem maioria inclinada contra eles — e o cálculo político mudou de uma hora para outra.
Sob essa pressão, gestos de aproximação começaram a surgir. O decano Gilmar Mendes arquivou, nesta terça-feira (6), pedido de investigação contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), acolhendo parecer da PGR por falta de elementos suficientes.
No mesmo dia, veio a público a decisão de Alexandre de Moraes, que concedeu progressão de regime para o semiaberto a Débora Rodrigues, uma das figuras conhecidas dos atos de 8 de Janeiro.
Mas não se engane: a bandeira branca não é rendição. A ala que sinaliza diálogo também deixa claro que não vai recuar diante de ameaças. Inquéritos que atingem nomes do grupo bolsonarista permanecem no radar, prontos para serem acionados caso a pressão se transforme em ataque direto aos membros da Corte.
A estratégia é clara: estender a mão para negociar com setores dispostos ao entendimento, mas manter o punho cerrado se a investida contra o Supremo avançar.
O clima é de tensão. De um lado, o receio de perder mandato; do outro, a disposição de reagir com tudo se necessário. Os próximos dias serão decisivos e o fio que separa os lados está esticado, podendo arrebentar a qualquer momento.
Fonte: Revista Oeste — No Ponto. Disponível em: https://revistaoeste.com/no-ponto/ala-do-stf-aceita-conversar-com-a-direita-mas-nao-descarta-confronto/


