A Prefeitura de Maringá anunciou, no início da tarde desta segunda-feira (13), a suspensão temporária do Decreto nº 634/26, que previa o fim da escala de trabalho 12×60 para os servidores municipais da saúde. A decisão ocorre após uma forte mobilização da categoria, que aprovou por unanimidade o estado de greve em assembleia realizada no último sábado (11).
Vitória da mobilização e diálogo
O recuo da administração municipal foi classificado pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Maringá (SISMMAR) como uma vitória da categoria. Servidores de unidades como as UPAs Zona Norte e Zona Sul e o Hospital Municipal realizaram protestos silenciosos, utilizando narizes de palhaço e fitas pretas para demonstrar insatisfação com a falta de diálogo prévio sobre a medida.
Na manhã desta segunda, representantes do sindicato e da comissão de saúde se reuniram com membros da gestão municipal e da Procuradoria-Geral. Diante da ausência de justificativas técnicas robustas que sustentassem a mudança imediata, a prefeitura optou pela suspensão para “aprofundar a análise sobre os impactos na rotina dos servidores”.
Entenda o impasse
O ponto central do conflito é a escala 12×60 (12 horas de trabalho por 60 de descanso), modelo adotado em diversos setores da saúde de Maringá há cerca de 17 anos. O novo decreto pretendia instituir a escala 12×36, o que, segundo o sindicato, traria prejuízos sociais e financeiros aos trabalhadores, além de desorganizar a rotina operacional das unidades.
A prefeitura alega que a intenção da mudança é reduzir o volume de horas extras e otimizar a distribuição da carga horária, mantendo a jornada de 30 horas semanais garantida por lei. No entanto, o SISMMAR rebate afirmando que a medida carece de embasamento legal sólido.
Próximos passos
Com a suspensão do decreto, abre-se uma janela para negociações mais transparentes. Embora o clima de tensão tenha arrefecido com a decisão, a categoria permanece em estado de alerta. O objetivo agora é que qualquer alteração futura seja construída com a participação direta de quem atua na ponta do atendimento à população.




