O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou as pressões sobre o Brasil ao classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, afirmando que o governo brasileiro falhou no enfrentamento a esses grupos. A medida norte-americana, formalizada após designações anteriores e relatórios enviados ao Congresso dos EUA, gerou reações diretas do Palácio do Planalto.
Durante um evento oficial realizado nesta sexta-feira (18) no Complexo da PRF, no Rio de Janeiro — reunindo a cúpula da segurança pública nas esferas federal, estadual e municipal —, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu as declarações de Trump. Lula rejeitou a rotulagem de facções como terroristas e criticou a postura externa, apontando interesses econômicos por trás das movimentações norte-americanas:
“Nós temos que tomar conta porque o Trump está aí. O Trump está aí atrás de minerais críticos, atrás de petróleo, atrás de terra rara”, declarou o presidente, citando a vigilância necessária na região da margem equatorial e no pré-sal.
Em seu discurso, o chefe do Executivo brasileiro também associou o conceito de terrorismo a episódios políticos internos, mencionando o ex-presidente Jair Bolsonaro — condenado em março deste ano a 27 anos e três meses de prisão pelo STF por envolvimento em um plano de golpe e atentados contra autoridades em 8 de janeiro.
Convênios e novas estratégias de segurança
A cerimônia no Rio serviu para demonstrar convênios integrados firmados entre os governos federal, estadual e municipal, estruturados em três frentes principais:
- Proteção integrada dos corredores logísticos: Parceria entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o governo estadual para combater o roubo de cargas e a mobilidade de criminosos em vias cruciais como a Avenida Brasil, Linha Vermelha, Linha Amarela e acessos a portos e aeroportos.
- Política Estadual de Reocupação Territorial: Acordo voltado para reduzir o controle armado, territorial e econômico exercido pelas organizações criminosas, fortalecendo a presença estatal sobre mercados explorados pelo crime.
- Capacitação da Força Municipal: Formação de turmas de elite armadas para a Guarda Municipal do Rio, em colaboração com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Os convênios estaduais foram assinados no início de setembro com vigência de 60 meses, enquanto a parceria municipal foi firmada em agosto de 2025 com prazo de três anos. Para o governo federal, o estado do Rio de Janeiro funciona como um laboratório cujos resultados bem-sucedidos poderão ser replicados em todo o território nacional.
Defesa da soberania
Diante do debate sobre a atuação de potências estrangeiras na segurança interna, o governador interino do Rio, desembargador Ricardo Couto, reforçou a autonomia do país:
“O Brasil tem condições, sim, de, por si, seguir em frente e realizar as atividades próprias da segurança. Não é o caso de sermos tutelados.”
O prefeito carioca, Eduardo Cavaliere, também destacou a importância da integração local, apontando o compartilhamento de informações de inteligência e o monitoramento em vídeo como pilares fundamentais para impactar positivamente todas as cidades da região metropolitana.
Críticas e alinhamento: a visão externa sobre a segurança no Rio de Janeiro
A recente declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificando as facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, gerou forte repercussão e colocou em pauta a eficácia das políticas de segurança pública do governo federal.
Durante evento oficial realizado nesta sexta-feira (18) no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu as críticas norte-americanas, argumentando que o país tem capacidade de gerir seus próprios conflitos e rejeitando qualquer tipo de tutela externa. No entanto, setores da sociedade e analistas apontam que a crescente criminalidade urbana e a atuação de grupos armados exigem medidas enérgicas, muitas vezes vistas como ausentes nas estratégias locais atuais.
Enquanto o Planalto defende a soberania nacional e a implementação de novos convênios voltados para a proteção de corredores logísticos e a reocupação territorial, cresce o debate sobre a necessidade de cooperação internacional e de um endurecimento no combate às facções que dominam áreas urbanas no estado carioca.


