DUBAI — A tensão no Oriente Médio atingiu o ponto mais alarmante desde o início das hostilidades. Os Estados Unidos intensificaram drasticamente suas ações militares contra o Irã nesta quinta-feira (16), expandindo os bombardeios para a região norte do país e disparando contra uma embarcação que, segundo Washington, tentava furar o bloqueio naval imposto à República Islâmica. Em contrapartida, Teerã respondeu com ataques de drones e mísseis contra bases aliadas dos EUA e alertou para uma retaliação ainda mais severa.
O colapso definitivo do cessar-fogo provisório firmado no mês passado empurrou a região de volta ao cenário de guerra total. O centro da disputa geopolítica e militar continua sendo o controle do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais vitais do planeta para o comércio de petróleo e bens de consumo. De acordo com fontes oficiais do governo iraniano, a última onda de ataques americanos já resultou em mais de 35 mortes e deixou mais de 300 feridos.
Alvos atingidos nos arredores da capital iraniana
Pela primeira vez nesta nova fase de hostilidades, as forças americanas miraram posições nos arredores de Teerã, a capital do Irã. A expansão geográfica das incursões aéreas demonstra que os EUA estão dispostos a atingir o coração do comando militar persa.
Além da região metropolitana da capital, os ataques coordenados pelo Comando Central dos EUA (Centcom) miraram os seguintes pontos estratégicos:
- Província de Semnan: Principal polo de desenvolvimento do programa espacial e de fabricação de mísseis balísticos do país.
- Ilha de Tunb Maior: Localizada na entrada do Estreito de Ormuz, onde foram destruídas instalações de radares e baterias de defesa costeira.
- Outras províncias atingidas: Relatos da mídia estatal iraniana confirmaram explosões nas províncias de Hamedan, Hormozgan, Khuzistão, Lorestão, Markazi, Sistão-Baluchistão e na estratégica ilha de Qeshm.
O fechamento de Ormuz e o impacto na economia global
O conflito, que teve início em 28 de fevereiro com ações conjuntas de Estados Unidos e Israel, gerou uma resposta imediata de Teerã: o fechamento do tráfego de navios mercantes pelo Estreito de Ormuz. A interrupção da passagem de navios-tanque provocou uma disparada imediata nos preços internacionais do barril de petróleo, de fertilizantes agrícolas e de insumos industriais, pressionando a inflação global.
A tática de fechar o estreito é vista por analistas como a principal carta de pressão do Irã nas negociações de bastidores com o Ocidente.
Irã estabelece “linha vermelha” e ameaça infraestrutura regional
Em pronunciamento oficial, o coronel Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya das Forças Armadas do Irã, subiu o tom contra as ameaças de Washington de alvejar usinas elétricas e pontes no país.
“Em hipótese alguma permitiremos que os Estados Unidos, como país estrangeiro e extrarregional, interfiram no Estreito de Ormuz. Esta é a linha vermelha intransponível do Irã”, declarou o coronel Zolfaghari.
O militar alertou ainda que, caso os EUA levem adiante as ameaças de destruir a infraestrutura civil iraniana, Teerã ordenará ataques coordenados e generalizados contra “toda a infraestrutura energética e logística” dos países aliados dos americanos na região do Golfo Pérsico.


