Os Estados Unidos e a Arábia Saudita fecharam um acordo histórico de energia nuclear civil que autoriza o reino saudita a enriquecer urânio e construir reatores nucleares utilizando tecnologia norte-americana. O pacto, contudo, não exige as inspeções sem aviso prévio da ONU — uma exigência que Washington aplicou ao Irã no passado.
A parceria vinha sendo negociada há anos, atravessando as gestões de Donald Trump e Joe Biden, mas encontrava resistência devido a alertas de especialistas sobre o risco de proliferação de armas nucleares na região.
Flexibilização nas inspeções da AIEA
Ao contrário das propostas anteriores, o texto atual não exige que os sauditas assinem o Protocolo Adicional. Esse mecanismo permitiria à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) vistoriar instalações não declaradas de surpresa.
Atualmente, a Arábia Saudita opera sob o regime de salvaguardas regulares da AIEA, focado apenas em locais previamente declarados. A ausência de inspeções mais rígidas preocupa analistas internacionais, sobretudo porque o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman já declarou publicamente que Riad desenvolverá artefatos atômicos caso o Irã o faça.
Termos do Acordo 123 e próximos passos
Assinado pelo secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, e pelo ministro da Energia saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, o pacto (conhecido como Acordo 123) permite:
- Enriquecimento e reprocessamento: Autoriza a Arábia Saudita a enriquecer urânio e reprocessar resíduos nucleares em seu território.
- Contratos bilionários: A parceria de cerca de 30 anos para a construção de reatores AP1000 prevê movimentar dezenas de bilhões de dólares, beneficiando diretamente a empresa Westinghouse.
- Trâmite no Congresso: O texto segue para análise do Congresso dos EUA, que terá 90 dias de sessão para avaliar o documento. Para vetar a medida com uma eventual rejeição presidencial, os parlamentares precisarão de uma maioria de dois terços.
O Departamento de Energia norte-americano defende que o tratado cumpre as normas da Lei de Energia Atômica do país, enquanto autoridades sauditas ressaltam que, sem a parceria com os EUA, o reino buscaria acordos semelhantes com a China ou a Rússia.



